Raleigh (acima): condenado pelas mortes de Macsuare, Bruno e André (alto)
“O acusado é tecnicamente primário… Contudo, há notícia de seu envolvimento no mundo da criminalidade, em crime de homicídio e porte de arma, conforme se depreende do seu próprio depoimento, o que demonstra maus antecedentes.
A culpabilidade do réu é acentuada, com alto grau de reprovabilidade e censurabilidade. O fato corrido no seio da sociedade traumatizou toda a população com a execução de três adolescentes. O réu não se intimidou com o cometimento dos crimes em local urbano, com uma audácia extremamente reprovável afrontando a comunidade. Por outro lado, na qualidade de policial militar afastado ou não do serviço, mas concursado, caberia o dever de zelar e proteger a população, e não de matar seus integrantes. Quis impor respeito à ordem criminosa no local para ganhar notoriedade do mal. Sentia-se o dono da lei na respeitável Cidade de Campos dos Goytacazes e a justiça em suas mãos”.
Este é um trecho da sentença do juiz Peterson Barroso Simão, titular do Tribunal do Júri de Niterói, que, na noite da última segunda-feira, condenou o ex-policial militar Raleigh Machado Dias, 34 anos, a 48 anos de prisão pelo crime triplamente qualificado – motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas – ocorrido em fevereiro de 2009, numa residência no Centro de Campos, que vitimou os estudantes André Luiz dos Santos Souza, Bruno de Lima Rodrigues e Macsuare Cabral de França. Raleigh vai cumprir a pena em regime, inicialmente, fechado e não poderá recorrer em liberdade.
Ex-policial negou crime, mas admitiu conhecer primeiro condenado
O julgamento aconteceu na última segunda-feira, dia 12, e durou oito horas. Durante o interrogatório, Raleigh negou a autoria do crime e confirmou conhecer Edilberto Batista Siqueira Júnior – condenado no mês passado a 45 anos de prisão pelo mesmo crime – e que trabalharia para ele fazendo segurança desarmada.
O ex-PM disse ainda, durante o interrogatório, que desde que foi expulso da Polícia Militar não mais fez uso de arma, porém, no dia em que foi preso pela Polícia Federal, em cumprimento de mandado de prisão, no ano de 2009, foi flagrado armado. Raleigh explicou que carros suspeitos circulavam próximos à casa dele e que, pela primeira vez, portava uma arma desde que foi expulso da corporação. Ele alegou ainda ser vítima de uma trama de policiais, promotores e delegados, por fazer parte de um grupo político.
Tempo - Ainda durante o julgamento, o Ministério Público sustentou a tese de acusação em explanação que durou 1h29m, além de exibir o vídeo com a confissão do outro acusado. A defesa sustentou, durante 45 minutos, a inocência do acusado. Após o julgamento, Raleigh foi transferido para o presídio Água Santa, no Rio de Janeiro.
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