quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ES: O bicho pode pegar... ou comer

Rogerio Medeiros - www.seculodiario.com.br

A pressão contra a entrada do ex-prefeito Max Filho no PSB tomou um volume que raia a dimensão de uma crise com tentáculos capazes de produzir lesões definitivas nas relações do governador com a sua base.

A regência é do ex-governador Paulo Hartung. Diariamente uma dezena de deputados estaduais passa pelo seu escritório. Da atual Assembléia, em 30 deputados, cinco, no máximo, estão fora de seu controle.

PH é um legítimo governo paralelo, se é que há legitimidade em governos paralelos. A crise Max Filho está mostrando sua existência. Ou melhor, revelando que ele já existia. Algo que a sua genialidade política é capaz de inventar.

É também uma demonstração de força, impondo ao governador Renato Casagrande que reflita quanto aos resultados unilaterais da entrada de Max Filho no seu partido.

Há também a reação do PR, onde o senador Magno Malta está feroz e o prefeito Neucimar Fraga reage como quem foi traído. Neucimar abdicou até da tolerância – marca de seu comportamento político – para exasperar-se. Deu ciência de seu estado de espírito político ao próprio governador Casagrande em forma de revolta.

Embora Paulo Hartung e Magno Malta não convivam politicamente, e não haja a mínima possibilidade em virem a conviver, falam, pelos menos nessa crise,  a mesma língua, com o mesmo grau de interesse em evitar a entrada de Max Filho no PSB.

Vulneram totalmente o sistema de segurança política do governador Renato Casagrande. Conduzem o processo para extrair do governador a decisão de evitar a entrada de Max Filho. Alinham uma poderosa força política para atingir os objetivos. Casagrande encontra-se numa verdadeira encruzilhada, onde, se ficar, o bicho pega, e se correr o bicho come.

Mas é também real que Casagrande não chegou ao governo por acaso. E sim pela sua capacidade política, pilotando um partido de pequeno porte. Eu disse outro dia aqui: um autêntico animal político. Desses de topo de cadeia alimentar, como costumam dizer os ambientalistas em momento dessa natureza. Não é um marinheiro de primeira viagem. Está bem rodado. Mas é um político de triunfo vivendo um momento extremamente dramático.

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