Editorial
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Em depoimento à Justiça, na semana passada, o criminalista Último de Carvalho trouxe à luz um dado até então desconhecido sobre o esquema armado para livrar o ex-governador Paulo Hartung de envolvimento no caso Alexandre.
Trata-se da ida do juiz Carlos Eduardo Lemos à sala que ele dividia com o juiz Alexandre Martins de Castro Filho, na Vara de Execuções Penais de Vitória, no dia em que este foi assassinado, para se apossar de documentos guardados no cofre pessoal do colega morto sem o devido mandado de busca e apreensão.
Era nesse cofre que Alexandre guardava as fitas que disse possuir sobre o envolvimento de Hartung em atos de corrupção na prefeitura de Vitória, ao longo de sua gestão e da gestão de seu sucessor no cargo, Luiz Paulo Vellozo Lucas.
A informação sobre a existência das fitas foi dada à polícia e à Justiça pela personal trainee do juiz Alexandre, Júlia Eugênia. Mas esta parte do seu depoimento, conforme Último de Carvalho, foi suprimida dos autos pelo juiz Carlos Eduardo Lemos, nomeado juiz de exceção do caso.
Último de Carvalho lembrou que o juiz Alexandre revelara a existência das fitas para sua noiva e para a personal trainee, garantindo que, se fosse assassinado, o mandante do crime seria Paulo Hartung, o que tornaria o caso de competência da Justiça Federal.
Em seu depoimento, Último de Carvalho disse que a farsa do crime de mando, criada por Paulo Hartung, fora formalizada por Lemos e Rodney após a violação do cofre pessoal do juiz Alexandre.
Em seu depoimento, Último de Carvalho disse que a farsa do crime de mando, criada por Paulo Hartung, fora formalizada por Lemos e Rodney após a violação do cofre pessoal do juiz Alexandre.
A violação, segundo Último, ocorreu logo depois de Carlos Eduardo e Rodney Miranda terem conhecimento do depoimento da personal trainee de Alexandre falando das fitas que o juiz morto tinha guardadas em seu cofre, na sala da Vara de Execuções Penais de Vitória que dividia com Carlos Eduardo.
Disse Último que, ainda na manhã da morte de Alexandre, o juiz Carlos Eduardo Lemos foi à tal sala e violou o cofre pessoal da vítima, não mais dando notícia das fitas. Em vez disso, apareceu com uma carta anônima – segundo afirmou, encontrada no cofre do colega – pela qual se poderia lançar a tese do crime de mando.
No depoimento de Último consta que Carlos Eduardo e Rodney Miranda tiveram uma reunião a portas fechadas com o então governador Paulo Hartung, em palácio. Nesse momento, eles já tinham conhecimento do depoimento da personal trainee incriminando Hartung.
O depoimento de Último de Carvalho é revelador de outras ações que colocam Carlos Eduardo e Rodney Miranda em choque com a ética e a transparência.
Os dois, embora de posse de dados que atestavam ter havido uma tentativa de assalto no caso da morte do juiz, preferiram “construir uma história de modo a blindar o governador Paulo Hartung”.
Os dois, embora de posse de dados que atestavam ter havido uma tentativa de assalto no caso da morte do juiz, preferiram “construir uma história de modo a blindar o governador Paulo Hartung”.
Sobre a nomeação de Carlos Eduardo como juiz do caso, Último citou o próprio magistrado, que, no livro “Espírito Santo”, do qual é coautor, disse ter sido indicado para o cargo pelo presidente do TJES e mais dez desembargadores, dos 21 então integrantes do Pleno.
“Eles se reuniram e resolveram então nomear Carlos Eduardo juiz do processo sobre a morte de Alexandre, embora houvesse o juiz natural, o titular da Vara do Júri de Vila Velha”, declarou.
Último, em seu depoimento, faz outras revelações que comprovam ter Carlos Eduardo atuado com prepotência e má-fé na condução do processo.
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