terça-feira, 26 de julho de 2011

ES: "Espólio de um Déspota". Levanta-se o véu e a verdade surge

Editorial
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Conciso e objetivo, o depoimento do criminalista Último de Carvalho, no processo movido pelo juiz Carlos Eduardo Lemos contra Século Diário, teve o efeito de um véu que, estendido sobre episódios obscuros dos oito anos do governo Paulo Hartung, expôs, ao ser recolhido, um autêntico mar de lama e sangue.

A sujeira aparece oculta sob a primeira ponta do véu, com a marca do ano de 2002, quando a primeira das duas gestões Hartung se inicia. É quando o advogado Marcelo Denadai é morto, vítima de atentado à bala.

O fato causa indignação e revolta no seio da sociedade. Tenta-se uma intervenção federal, mas a iniciativa fracassa. A polícia faz corpo mole, o tempo passa.

E o nome de Hartung fica apenas no ar – e, evidentemente, em nossas páginas. Sabia-se que Hartung tinha envolvimento no caso, pois Denadai havia levantado fatos comprometedores da gestão dele à frente da prefeitura de Vitória, mas a mídia corporativa silenciava a respeito.

Eram fatos verdadeiramente suspeitos, pois apontavam para protecionismo de empresas na prestação de serviços à municipalidade, especialmente nas áreas de limpeza de fossas e galerias. Este detalhe leva o foco das suspeitas para o empresário, ex-PM e agora empresário do setor de limpeza de fossas e galerias Sebastião Pagoto.

O mesmo Pagoto que a Polícia Federal apontara como mandante da morte de Denadai. Já então não havia como afastar Hartung de suspeição, pois na sequência do caso amontoaram-se cadáveres.

Cadáveres de testemunhas dos fatos relacionados à morte de Denadai. Ou seja, um crime levou a outros – mais seis, no total.

Entretanto, depois do arranjo institucional de Hartung - que colocou a mídia e os demais Poderes sob seu comando –, o caso Denadai praticamente desaparece do noticiário. O que aparece é um governo cada vez mais popular, cada mais forte e dominante.

Surge, então, o mito do Imperador.

É com essa fama que Hartung aparece no segundo crime de grande repercussão no Estado – o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.

A história de que a vítima guardara fitas que comprometiam o governador-imperador teve circulação restrita aos bastidores da política. Até mesmo Século Diário não despertou de imediato para a realidade, pois estavam todos, no Estado, anestesiados pela bem urdida farsa do crime de mando para explicar a morte, e ninguém – ninguém mesmo – aceitaria que o governador fosse o mandante do crime.

Até porque os criadores da farsa já tinham escolhido um mandante – o juiz Leopoldo. E, no Júri de Vila Velha, começavam a ser julgados homens apontados como “intermediários” do crime. Dois sargentos foram condenados. Outros acusados aguardam, ainda, decisão da Justiça Federal para saber se serão também “julgados” em Vila Velha.

Eis que ressurge no noticiário Carlos Eduardo Lemos – juiz de exceção do caso Alexandre – como autor de processo contra dois diretores de Século Diário, por se achar caluniado, injuriado e difamado no noticiário do jornal sobre a farsa.

O processo anda, em primeira instância, e em breve subirá para a segunda instância, pois os acusados argüiram exceção da verdade. Ou seja, mantiveram as denúncias veiculadas contra o juiz.

Fechando esse círculo, Últiumo de Carvalho é ouvido no Rio de Janeiro e seu depoimento estoura como uma bomba no Estado: o juiz Carlos Eduardo Lemos – afirma o depoente – é mesmo tudo o que Sécuilo Diário afirma ser em suas matérias: um ditador de toga.

Recolhe-se o véu e sob ele, agora, aparecem as figuras de Hartung, Carlos Eduardo e Rodney Miranda. Unidos como irmãos siameses.

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