terça-feira, 14 de junho de 2011

ES: Movimentos sociais reclamam de demora nas investigações de casos envolvendo policiais do ES

TV Vitória


Foto: Reprodução TV Vitória

Em menos de 30 dias, 12 policiais foram presos, entre eles três delegados e cinco investigadores, acusados de crimes como tortura, abuso de poder, associação para o tráfico e formação de quadrilha. Os movimentos sociais que atuam no Estado reclamam da demora na investigação dos casos envolvendo esses profissionais.   

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Enquanto isso, a população fica a insegurança ao saber que homens que foram moldados para darem exemplo transgridem a lei. "Infelizmente há um histórico nas corporações policiais de violação dos direitos humanos. Sabemos que não é a maioria, mas isso existe", explicou o coordenador do Fórum Estadual da Juventude Negra, Luiz Inácio Silva da Rocha.

Ele disse que acompanha investigações de possíveis abusos cometidos por policiais contra jovens. Nesta semana foi protocolado um ofício para pedir a investigação da morte de Rafael de Oliveira Pinheiro, em maio deste ano. O jovem de 21 anos foi morto com um tiro nas costas durante uma operação policial no bairro Gurigica, em Vitória. Na ocasião, um ônibus foi incendiado e traficantes e militares trocaram tiros.
 
O fórum teme que o caso do jovem termine como muitos outros. "Acreditamos que há um grande grau de corporativismo nas investigações de crimes em que policiais são acusados. Por outro lado, existe bastante empenho, até pessoal, para solucionar crimes que são praticados contra policiais ou seus familiares", comentou o coordenador.  

Muitas investigações não vão à frente porque policiais simplesmente não dão conta da quantidade de processos. Os que caminham muitas vezes são conduzidos com a ajuda do Ministério Público porque falta infraestrutura nas corregedorias. Segundo o promotor Jean Claude de Oliveira, do Grupo Executivo de Controle da Atividade Policial, o MP está atuando para o fortalecimento das corregedorias.
 
"A falta de estrutura da corregedoria, principalmente da Polícia Civil, é absurda. O que está se proporcionando hoje é uma quantidade de delegados e servidores que não existiam. Atualmente, o secretário de Segurança Pública está pelo menos dotando a corregedoria de meios humanos para fazer esse trabalho", esclareceu.    
 
O promotor acompanha casos como o da delegada Tânia Brandão, presa na semana passada suspeita de ter ligação com uma quadrilha de traficantes em Cariacica, e os delegados Luiz Neves e Márcio Braga, presos há quase um mês por crime de extorsão e até tortura. "Servir de exemplo é o que a sociedade espera. Se não, pelo menos a punição", finalizou.

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