O
delegado local já abriu inquérito e vai solicitar audiência com a
prefeita Norma Ayub para saber quando o matadouro municipal ficará
pronto
A
Polícia Ambiental esteve na manhã de ontem em Itapemirim e constatou
indícios de crime ambiental às margens da rodovia que dá acesso à BR
101, conforme denúncia feita pelo Aqui Notícias no dia 27 de agosto, com
exclusividade. No local, são despejadas ossadas de animais supostamente
abatidos em matadouros clandestinos. A polícia confeccionou boletim de
ocorrência, encaminhou à delegacia local e protocolou no Ministério
Público.

De
acordo com o subtenente Ricardo, os policiais fizeram a coordenada
geográfica, para caracterizar os pontos onde são jogadas as ossadas.
Conforme publicado neste periódico, o terreno, que é de propriedade da
Usina Paineiras, é Área de Preservação Permanente (APP), devido à sua
proximidade com o rio Itapemirim.
“Os
policiais foram aos pontos denunciados pelo jornal, porém não houve o
flagrante. Mesmo assim, foi constatada a irregularidade baseada no
artigo 60 da Lei de Crimes Ambientais, e a ocorrência encaminhada à
delegacia e ao Ministério Público”, informou.
Na
mesma reportagem, o jornal flagrou o transporte indevido da carne a um
açougue do município e supostos matadouros clandestinos em localidades
diferentes. No entanto, segundo o subtenente, a fiscalização às
propriedades e aos estabelecimentos comerciais não compete à Polícia
Ambiental e sim ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) e
à Vigilância Sanitária da prefeitura, respectivamente.
Como
a ocorrência foi protocolada no Ministério Público, pode acontecer do
órgão requisitar diligência ao Idaf para atestar a qualidade da carne
abatida no município, assim como o transporte e o comércio, segundo
Ricardo. Ou seja, averiguar se todo o procedimento atende às
recomendações sanitárias.

Delegado vai pedir reunião com a prefeita
O
titular da delegacia de Itapemirim, Fabrício Chartone, informou à
reportagem que solicitará audiência com a prefeita Norma Ayub para saber
quando o matadouro municipal será concluído, pois ele acredita que os
problemas com carne clandestina podem acabar com o funcionamento do
abatedouro construído pela prefeitura.
Sobre
a ocorrência protocolada pela Polícia Ambiental, o delegado afirmou que
já instaurou o inquérito no intuito de identificar os autores do
despejo criminoso de ossada em Área de Preservação Permanente (APP).
“Há
algum tempo, já recebemos denúncia sobre o despejo irregular.
Inclusive, algumas pessoas foram indiciadas e estão respondendo pelo
crime. As investigações irão continuar”, contou o delegado.
Prefeitura não responde à reportagem
Há
mais de uma semana, a reportagem faz contato com a prefeitura de
Itapemirim para saber informações sobre a obra do matadouro municipal,
que está em construção há anos, e se a Vigilância Sanitária local tomou
alguma providência diante do flagrante de comercialização de carne
clandestina no município. A prefeitura jamais respondeu aos
questionamentos.
De
acordo com pessoas ligadas à administração litorânea, o matadouro
começou a ser construído em 2005, através de convênio com o governo do
Estado. De lá pra cá, o imóvel teria passado por duas reformas sem nunca
ter sido inaugurado. Há duas semanas, a reportagem esteve no local e
nenhuma placa com informações inerentes à intervenção existia.
Saúde
A
fiscalização da Vigilância Sanitária junto aos açougues de Itapemirim
pode garantir a qualidade da carne consumida pela população local. A
reportagem flagrou um veículo, em péssimo estado, transportando carne de
procedência duvidosa para abastecer açougue localizado em uma das
principais avenidas da cidade.
Enquanto
a prefeitura não informa se a fiscalização ocorre, pode a população
ainda estar levando para casa um alimento que pode colocar em risco a
saúde. A carne clandestina pode causar tuberculose, toxoplasmose e
cisticercose.
Nenhum comentário:
Postar um comentário