sábado, 10 de setembro de 2011

ES: Berço histórico da Capital em risco



Cristina Moura - www.seculodiario.com.br
Foto capa: Gustavo Louzada

Fotos: Gustavo Louzada


O Centro de Vitória, berço histórico da Capital capixaba, que na última quinta-feira (8) completou 460 anos, está em estado de abandono. Essa é a avaliação de Jorge Bernardino, presidente da Associação de Moradores do Parque Moscoso (Ampar). Para Bernardino, o problema é político, pois há uma lentidão na solução das demandas. A violência é apontada por moradores e comerciantes como a principal vilã desse processo de degradação que se instalou na região central da cidade.

Jorge Bernardino (foto) alerta para o problema de arrombamentos de lojas e casas. Ele diz que o efetivo de cerca de 50 policiais é insuficiente para coibir a criminalidade no Centro, devido à amplitude da região. Oito grupos constituem o Centro. Além da região central, que compreende a rede de administração portuária e instituições públicas, fazem parte as comunidades da Gruta da Onça, Morro da Capixaba, Morro da Fonte Grande, Morro da Piedade, Morro do Moscoso, Parque Moscoso e Vila Rubim.

Uma das ideias da Ampar, já formalizada à prefeitura de Vitória, é distribuir câmeras de vídeo-monitoramento em avenidas que são consideradas focos de prostituição e, consequentemente, de tráfico de drogas, como a avenida General Osório e rua Cleto Nunes. A escadaria Doutor Carlos Messina, que liga a região do Parque Moscoso à Cidade Alta, também é outra forte concentração.

Bem servido em infraestrutura

Jorge Bernardino explica que o Centro é um dos melhores lugares da cidade para morar. No entanto, está carente de planejamento para um sistema eficaz de manutenção. Segundo ele, o Centro é bem servido em termos de infraestrutura. Dispõe de água de boa qualidade, esgotamento sanitário e pavimentação. O sistema de iluminação, porém, motiva a violência. A falta sistemática de poda de árvores deixa as ruas escuras e acaba se transformando numa forte aliada da criminalidade. A Ampar solicitou à prefeitura a instalação de lâmpadas com vapor metálico, que são mais resistentes e asseguram um feixe de luz mais forte.



O Parque Moscoso, porém, deveria ser um lugar mais agradável, segundo Bernardino. A troca da gestão do parque, inclusive, já foi solicitada pela Ampar. A associação quer, ainda, que sejam podadas algumas árvores, corrigidas as placas de identificação ao turista, substituída a areia do campo esportivo, repostos tijolos e consertada uma goteira na área da lanchonete. O lago é um dos maiores problemas, pois se encontra esverdeado devido ao acúmulo de lodo, necessitando ser esvaziado e preenchido com água limpa. “Em termos de valorização temos muito pouco. As coisas só funcionam quando há cobrança. Não deveria ser assim”, lamentou.

Projeto Visitar, Estação Porto e Tancredão
Para o presidente da Ampar, falta para o Centro uma política de valorização da parte histórica. Para ele, o Projeto Visitar ainda é muito tímido, pois deveria reunir uma rota maior e movimentar turistas e moradores do próprio Centro. O sítio histórico se estende desde o Forte São João até a Vila Rubim, passando pela Cidade Alta e Cidade Baixa. De acordo com o Projeto Visitar, mantido pela Prefeitura e pelo Instituto Goia, os monumentos estão abertos de terça-feira a domingo, das 9 às 10h, e conta com monitores qualificados e informações específicas distribuídas em folhetos.



A movimentação cultural é outro ponto que deixa a desejar. “A Estação Porto de Vitória foi uma conquista nossa, com shows, valorização dos nossos artistas e artistas de fora. Simplesmente acabou”, afirmou, lembrando, ainda, que os cinemas migraram para os shoppings centers e que o Teatro Carlos Gomes poderia oferecer mais eventos. Outros locais, como o Mercado da Capixaba e a Vila Rubim, também poderiam ser mais valorizados. Há uma expectativa positiva para a conclusão da reforma do Sesc Glória, até o final do ano.

Em termos de esporte, o Centro é bastante deficitário, segundo o presidente da Ampar. Há uma quadra de futebol de areia no Parque Moscoso, uma quadra esportiva no Sesc da região e uma “não oficial” na Praça Ubaldo Ramalhete. A previsão da prática esportiva para o novo Parque Tancredo neves, o Tancredão, não é tão favorável, na opinião de Jorge Bernardino. O impacto para a população do Centro será pouco porque os moradores sentem medo do local, em determinados horários dominados pela violência.

“Deve haver uma política de incentivo. As pessoas devem se sentir estimuladas para frequentar o local. Além disso, deve haver ainda um sistema de policiamento ainda maior na região, pois obviamente o policiamento do Centro já é pequeno para ter que se deslocar para lá”, ponderou.

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