quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ES: Mesmo com Estado Presente de Casagrande, número de homicídios continua em alta

José Rabelo - www.seculodiario.com.br
Embora o governo do Estado aponte o programa Estado Presente como um importante aliado para reduzir a criminalidade no Espírito Santo, os números revelam que a iniciativa, por enquanto, não está surtindo os resultados esperados. Nos meses de junho, julho e agosto deste ano, a taxa de homicídios cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Na Grande Vitória, o aumento foi ainda maior: 11%.
 
Foram registrados nesse último trimestre 401 homicídios contra 375 do mesmo período de 2010. As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública apontam que a violência continua concentrada na Região Metropolitana da Grande Vitória, justamente onde o programa foi lançado há três meses.
 
Serra, Cariacica e Vila Velha, nessa ordem, continuam sendo os municípios mais violentos da Grande Vitória. Até agosto de 2011, foram assassinadas na Serra 260 pessoas. O número projeta uma taxa anual média de intoleráveis 96 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes; Cariacica registra 79/100 mil; seguida por Vila Velha (51), Viana (46), Guarapari (43) e Vitória (38).
 
Em matéria publicada no site do governo nessa quarta-feira (31), a Assessoria da Sesp considera o acumulado do ano para mostrar que houve redução. Diz o informe: “As ações do Programa Estado Presente já resultaram em uma redução de 12% nos homicídios registrados no Estado, em comparação com o mesmo período do ano passado”. De fato, foram registrados até agosto deste ano 1.144 homicídios contra 1.270 de 2010, na verdade, um decréscimo de 11 e não de 12%.
 
Entretanto, a Secretaria de Segurança Pública, no seu informativo, preferiu omitir que no último trimestre o número de assassinatos vem crescendo mês a mês (vide tabela) em relação a 2010.
 
Interior
No interior, onde o Estado Presente ainda não chegou, a violência também continua em ascensão. Pior, os municípios do interior superam as taxas de homicídios da Grande Vitória na projeção por 100 mil habitantes.
 
Pinheiros continua isolado na liderança, agora com 126 homicídios/100 mil (no primeiro semestre tinha 122/100 mil); Pedro Canário segue absoluto na segunda posição com 117/100 mil (tinha 113). No ranking dos cinco mais violentos do interior completam a lista Ecoporanga (87/100 mil); Baixo Guandú (79/100 mil, tinha 55); e Ibitirama, que permanece com 67/100 mil.
 
 
Não é demais lembrar que a taxa média de homicídios no Brasil é de menos de 24 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa tolerável para países civilizados deve se manter inferior a 10 homicídios/100 mil – taxa já alcançada por São Paulo, que reduziu o índice para um dígito. A OMS classifica taxas acima de 50 homicídios/100 mil, para regiões que estão em guerra civil. Hoje, pelo menos 20 municípios capixabas têm taxas acima de 50/100 mil.

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