Embora
o governo do Estado aponte o programa Estado Presente como um
importante aliado para reduzir a criminalidade no Espírito Santo, os
números revelam que a iniciativa, por enquanto, não está surtindo os
resultados esperados. Nos meses de junho, julho e agosto deste ano, a
taxa de homicídios cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano
passado. Na Grande Vitória, o aumento foi ainda maior: 11%.
Foram registrados nesse último trimestre 401
homicídios contra 375 do mesmo período de 2010. As estatísticas da
Secretaria de Segurança Pública apontam que a violência continua
concentrada na Região Metropolitana da Grande Vitória, justamente onde o
programa foi lançado há três meses.
Serra, Cariacica e Vila Velha, nessa ordem,
continuam sendo os municípios mais violentos da Grande Vitória. Até
agosto de 2011, foram assassinadas na Serra 260 pessoas. O número
projeta uma taxa anual média de intoleráveis 96 homicídios para cada
grupo de 100 mil habitantes; Cariacica registra 79/100 mil; seguida por
Vila Velha (51), Viana (46), Guarapari (43) e Vitória (38).
Em matéria publicada no site do governo
nessa quarta-feira (31), a Assessoria da Sesp considera o acumulado do
ano para mostrar que houve redução. Diz o informe: “As ações do Programa
Estado Presente já resultaram em uma redução de 12% nos homicídios
registrados no Estado, em comparação com o mesmo período do ano
passado”. De fato, foram registrados até agosto deste ano 1.144
homicídios contra 1.270 de 2010, na verdade, um decréscimo de 11 e não
de 12%.
Entretanto, a Secretaria de Segurança Pública, no
seu informativo, preferiu omitir que no último trimestre o número de
assassinatos vem crescendo mês a mês (vide tabela) em relação a 2010.
Interior
No interior, onde o Estado Presente ainda não
chegou, a violência também continua em ascensão. Pior, os municípios do
interior superam as taxas de homicídios da Grande Vitória na projeção
por 100 mil habitantes.
Pinheiros continua isolado na liderança, agora com
126 homicídios/100 mil (no primeiro semestre tinha 122/100 mil); Pedro
Canário segue absoluto na segunda posição com 117/100 mil (tinha 113).
No ranking dos cinco mais violentos do interior completam a lista
Ecoporanga (87/100 mil); Baixo Guandú (79/100 mil, tinha 55); e
Ibitirama, que permanece com 67/100 mil.
Não é demais lembrar que a taxa média de homicídios
no Brasil é de menos de 24 mortes para cada grupo de 100 mil
habitantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa
tolerável para países civilizados deve se manter inferior a 10
homicídios/100 mil – taxa já alcançada por São Paulo, que reduziu o
índice para um dígito. A OMS classifica taxas acima de 50 homicídios/100
mil, para regiões que estão em guerra civil. Hoje, pelo menos 20
municípios capixabas têm taxas acima de 50/100 mil.
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