sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ES: JUVENTUDE BANDIDA. Operação prende 10 suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em Vitória


Foto: Reprodução TV Vitória

A Ilha do Príncipe ficou completamente cercada na manhã desta sexta-feira (02) durante uma operação policial contra o tráfico de drogas. Somente no bairro, localizado na capital capixaba, havia 70 policiais militares. A operação também aconteceu nos municípios de Vila Velha, Serra e Cariacica.

Viaturas policias serviram de barricada e a Ilha do Príncipe ficou totalmente interditada. Com mandados de busca e apreensão, os PMs revistavam casas, becos e ruas.  A comunidade, que acordou com a operação, ficou assustada com a movimentação.
 
Somente no bairro, 70 policiais participaram da operação e, em poucos minutos, os primeiros presos começaram a aparecer. Um dos suspeitos ainda estava dormindo quando os policias localizaram a casa dele. De acordo com a investigação, Haydson Dantas tem passagens por tráfico e roubo e seria o responsável pelo transporte de drogas e armas da Ilha do Príncipe.

O suspeito negou o envolvimento com o tráfico. "Eu? Não me pegaram com nada", afirmou Haydson Dantas. Na porta da delegacia do bairro, parentes de pessoas detidas choravam. Uma senhora garantiu que a droga encontrada na casa da irmã pertence ao sobrinho. "É injustiça. É por causa do filho dela, ela não tem nada a ver", disse Elizabeth Vieira.
 
Em um beco aparentemente tranquilo, morava Lucinara Rocha Pimentel, de 26 anos, que, segundo os moradores, não despertava a desconfiança da comunidade por trabalhar em um shopping da capital. Na casa dela a polícia encontrou uma escopeta calibre 12. Segundo a polícia, a arma estava escondida em um dos cômodos da residência.
 
A prisão mais importante da operação foi a de Jhon Lenon Santos João, de 20 anos, que, apesar da pouca idade, chefiava todo o tráfico de drogas do morro, segundo a polícia. "Ele era a pessoa que controlava o tráfico de drogas, determinava quem vivia e quem morria. Ele era o cérebro da organização criminosa. Ele é uma pessoa perigosa. A prisão do Jhon Lenon é um grande ganho para a sociedade", comentou o promotor do Ministério Público Estadual, Sérgio Alves.
 

Foto: Reprodução TV Vitória

As imagens que foram vistas na manhã desta sexta-feira são raras na Ilha do Príncipe. Policiais fortemente armados dividiam ruas e becos com a comunidade. "Acordei, olhei para cima e vi que estava cheio de polícia. Decidi que iria caminhar, mas não está dando nem para caminhar", disse uma moradora.

Além da força física, esse tipo de operação exige habilidade e inteligência. "Nós coletamos vários dados de inteligência, várias provas, além de vários elementos de convicção que hoje permitem ações como essa que nós estamos fazendo. Essas operações são parte de um projeto de enfrentamento à criminalidade traçado pela Polícia Militar e pelo Ministério Público", explicou o promotor do MPES.
 
O resultado da operação Zebulon - que significa cidade bíblica rejeitada - foi apresentado pelo Ministério Público Estadual no início da tarde. No total foram apreendidos R$ 13 mil em espécie, pistolas municiadas, diversos celulares, além de um binóculo que, segundo a polícia, era usado para avistar a chegada dos PM’s. Entre os entorpecentes apreendidos estavam 250gr de maconha, 180gr de crack e 52 papelotes grandes de cocaína.
 
Ao todo, 10 pessoas foram presas, a maioria jovens com menos de 28 anos de idade. Parte dos detidos já era investigada há alguns meses, os outros foram presos em flagrante. "Infelizmente, o tráfico de drogas já não nos surpreende. Muitas classes sociais estão envolvidas nisso e diversas pessoas que têm profissão estão envolvidas. A Polícia Militar lamenta, mas tem que cumprir o seu trabalho. É uma forma de mostrar o Estado presente na comunidade levando qualidade de vida", comentou o coronel Andrei Carlos Rodrigues.
 
O objetivo da operação era cumprir os 44 mandados de busca e apreensão em Vitória, Vila Velha, Cariacica e na Serra, cidades que tem ligação direta com o bairro Ilha do Príncipe, mas nem todos os investigados foram detidos. "A articulação das pessoas que adotam essa postura na Ilha do Príncipe fazem ligações com pessoas de outros municípios. A partir das investigações, foram identificados outros pontos fora da capital e a partir daí nós determinamos que fossemos também cumprir mandados nesses locais. O número de detidos seria maior, mas nós ainda estamos trabalhando e a equipe ainda se encontra na rua para localizar outras pessoas", afirmou o coronel Rodrigues.

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