Fotos Rafael Porto/Sejus
Oficina de corte e costura, instalada na unidade prisional onde as detentas trabalham. Olhares atentos aos movimentos dos professores, mãos ainda inseguras tentando repetir movimentos delicados e sorrisos de satisfação ao ver o resultado do esforço tomar forma. Esta é a rotina de 150 mulheres da Penitenciária Feminina de Cariacica, que por meio de um projeto criado pela Secretaria de Estado da Justiça estão tendo a oportunidade de aprender uma profissão dentro das unidades prisionais do Espírito Santo.
A maior parte delas, presa por envolvimento com o tráfico de drogas, não se imaginava aprendendo a fazer salgados e doces, ou confeccionando cadeiras e objetos de madeira. É o caso de Elizabete Araújo Dias, 33 anos, uma das alunas do “Maria Marias” – projeto que fornece cursos profissionalizantes às mulheres por meio de parcerias com órgãos de ensino, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Comercial (Senac), e o Serviço Social da Indústria.
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| Curso de Marcenaria |
“Estou adorando o curso (de doces e salgados). Gosto muito de cozinhar e sempre me dei bem no fogão. Minha mãe fazia salgados, mas eu nunca quis aprender. Agora, aprendi técnicas que nem ela sabia e acredito que esta é uma oportunidade para reconstruir minha vida lá fora”, explica Elizabete, que após 160 horas de aula, receberá um certificado de conclusão de curso.
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| Curso de salgados |
De acordo com a psicóloga coordenadora do “Maria Marias” na unidade prisional, Carla Marson, os cursos promoveram mudanças drásticas no comportamento das mulheres presas. “Nós percebemos o interesse delas, a forma como passaram a agir dentro da unidade”, explica Carla, que destacou bons exemplos, resultantes da capacitação profissional.
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| Curso de Corte e Costura |
“O curso de costura preparou mulheres para o mercado. Além da frente de trabalho na unidade prisional, que emprega 17 internas, temos cinco detentas em regime semiaberto que estão trabalhando lá fora”, completa a psicóloga. Este caminho deve ser trilhado por Luana Pereira Dias, 26 anos, aluna do curso profissionalizante de Corte e Costura.
“Eu quero levar para fora o conhecimento que adquiri aqui dentro, porque através dele eu vejo a ajuda que precisava. Não sabia fazer nada, agora sei operar toda a máquina e tenho uma profissão. Quando ganhar a liberdade, vou comprar material e abrir meu próprio negócio, se Deus quiser”, revela a entusiasmada interna.
Também estão sendo ministrados, na penitenciária, os cursos de Marcenaria, Manicure, Depilação e Design de Sobrancelha – os três últimos em parceria com a ONG Casa de Mulher e a ArcelorMittal. Glycenara Anita do Nascimento, 32 anos, “não sabia nem pegar em um martelo”, como ela mesma diz. Agora, porém, se surpreende com o bom desempenho nas aulas.
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| Curso de artesanato em madeira |
“A gente se empenha quando tem uma oportunidade. Eu não sabia nada de marcenaria, nem pegar em um martelo, hoje estou gostando bastante. E não é só pela remição (a cada três dias estudando, um é diminuído da pena), mas pela chance real de conseguir um trabalho lá fora. É completamente diferente de tudo o que já fiz. E isso é bom”, resume Glycenara.
Segundo a diretora da unidade prisional, Mônica Tamanini, o resultado positivo mostra que é possível conciliar segurança e tratamento penal. “Cada servidor tem desempenhado o seu papel e desenvolvido suas ações de maneira proativa. Tudo isso beneficia a ressocialização destas mulheres, que não tinham uma perspectiva de vida e hoje estão prontas para o mercado”, disse.
“Maria Marias”
Neste ano, o “Maria Marias” completou cinco anos de existência com quase duas mil mulheres capacitadas. O projeto foi criado em 2006 pela Secretaria de Estado da Justiça, em parceria com o Ministério da Justiça, o Sistema S (Sesi, Senai, Senac) e o Sebrae. Em cinco anos, foram oferecidos cursos de manicure, pedicure, costura industrial, confeitaria, doceira, salgadeira, escova, corte de cabelo, entre outros.
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