RIO - "Bomba paquistanesa aterrissa na Índia". Antes que os indianos se apavorassem com essa manchete, o tabloide "Mumbai Mirror" justificava a brincadeira estampando uma grande foto da estilosa Hina Rabbani Khar, a mais jovem e a primeira mulher a comandar a Chancelaria paquistanesa. Empossada no cargo às pressas, no final do mês passado, a tempo da reunião com o seu homólogo indiano que marcou a retomada das negociações de paz entre Islamabad e Nova Délhi, Hina - de cabelos longos e corpo esguio - causou sensação no país vizinho, mas suscitou reações adversas entre seu próprio povo.
No Paquistão, onde 60% da população vive com menos de US$ 2 ao dia, a aparição da jovem chanceler de 33 anos em trajes elegantes, óculos escuros Roberto Cavalli e uma bolsa Birkin, da Hermès, a tiracolo (valor: R$ 14 mil), não é unanimidade. "Não dá para desfilar com uma bolsa que representa uma fração importante do déficit fiscal do país e esperar que não haja comentários", ironizou um blogueiro paquistanês na ocasião.
- Hina desperta sentimentos contraditórios no país. Por um lado, ela é vista como um triunfo de relações públicas para um país que tem uma imagem bastante complicada. Por outro, há quem não a leve muito a sério, já que tem pouca experiência e chegou onde chegou, ao menos em parte, porque é herdeira de uma família influente de latifundiários - explicou ao GLOBO uma fonte diplomática.
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