Para ser reconhecida como a maior xícara de café do Brasil, técnicos e produtores de café do município de Brejetuba trabalharam durante horas para coar mais de oito mil litros de café arábica. A produção do café aconteceu neste sábado (13) durante a programação da GranExpoES 2011. Os visitantes acompanharam a montagem da xícara gigante, feita de aço inox, com quase três metros de altura e dois metros e 50 centímetros de diâmetro.
A grande xícara de café foi produzida pelo terceiro ano consecutivo, e neste ano, a Prefeitura Municipal de Brejetuba e a Secretária de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), por meio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), levaram o troféu de maior xícara de café do País, reconhecimento feito pela Rank Brasil Records.
Em 2010 foram coados 332 quilos de café processados, e Brejetuba levou o recorde brasileiro com 5.600 litros de café, perdendo, na competição mundial como maior xícara de café para Las Vegas (EUA) que coou mais de 7 mil litros de café solúvel. Para quem levou o próprio café para participar deste evento, o reconhecimento é o mais importante. "Hoje temos o reconhecimento e a divulgação do café e do município. Isso agrega qualidade e valor ao produto, gera mais emprego e renda para nossa cidade. Tenho 15 hectares plantados de café em uma produção familiar", disse o cafeicultor, Renato Côco.
O coador utilizado na produção do café foi confeccionado em dez dias, com 240 metros de algodão, 80 metros de quadrados de fio poliéster, dois mil metros de linha e pesa cerca de 37 quilos. O café foi coado com água mineral em uma temperatura de 97ºC.
Segundo o diretor da Rank Brasil, Luciano Cadari, a maior xícara do café do Brasil já era de Brejetuba. "Este ano estamos acompanhando de perto e premiamos o feito como o recorde nesta área. A partir de agora, vamos levar toda a documentação necessária e as provas para que esta seja avaliada como a maior xícara de café do mundo", afirmou.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, parabenizou a produção do espetáculo. "O café é o principal gerador de emprego e renda de Brejetuba, e para a maioria dos agricultores manter este segmento agrícola forte na economia é de interesse de todos. Este grande café representa a cafeicultura no topo economia agrícola capixaba", ressaltou o secretário.
Para o diretor presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, "o café de Brejetuba é um dos melhores do mundo. A produção do município representa riqueza econômica para a região Serrana e para o Espírito Santo. E para mostrar a força do café em Brejetuba, fez a união entre os produtores e estão conquistando o Brasil.
Após a produção, o café foi servido aos participantes que estavam acompanhando todo o processo de produção dos 8.200 mil litros de café.
O município de Brejetuba produz cerca de 400 mil sacas por ano, sendo que 150 mil são cafés de qualidade superior. Mais de 750 produtores cultivam café arábica em mais de 16 mil hectares.
Café no Espírito Santo
O Espírito Santo ocupa menos de 0,5% do território brasileiro. Nessa pequena área, está inserida uma das mais imponentes cafeiculturas do mundo, numa área aproximada de 500 mil hectares, que são responsáveis pela produção anual de 10,7 milhões de sacas, entre arábica e conilon, oriundas de 60 mil propriedades. Essa produção coloca o Espírito Santo como o segundo maior produtor do Brasil, com 25% da produção nacional. Quando se trata apenas do conilon, o Estado ocupa o primeiro lugar, com 72 % da produção brasileira. Se fosse um País, o Estado seria o terceiro maior produtor mundial, perderia para o próprio Brasil e Vietnã.
O café está presente em todos os municípios capixabas, exceto Vitória, sendo também o maior gerador de empregos no Estado. A cafeicultura é a principal atividade econômica em 80% dos municípios e representa, sozinha, 43% do PIB agrícola do Espírito Santo. Toda a cadeia que envolve o café gera aproximadamente 400 mil postos de trabalhos por ano, e só na produção são envolvidas 131 mil famílias. A produção que gera esse grande negócio é obtida prioritariamente por produtores de base familiar, com tamanho médio das lavouras em torno de 4,8 hectares para o café arábica e 9,4 hectares para o conilon.

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