sexta-feira, 1 de julho de 2011

ES: Partos de mães viciadas em crack preocupam hospital das Clinicas. Dois bebês de usuárias de crack chegam à maternidade por semana. No ano passado 15 filhos de viciadas foram internados na UTIN

O aumento no número de grávidas usuárias de crack atendidas no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), o Hospital das Clínicas, em Vitória, preocupa a equipe médica. De acordo com a psicanalista Alcione Vasconcelos, no ano passado 15 bebês filhos de mães nesta situação precisaram ser internados na UTI Neonatal. Este ano, até junho, já foram registrados 11 casos.

Isso sem contar as crianças que não chegam à UTI e permanecem com as mães nos quartos da maternidade. Não há um levantamento sobre o número total de casos, mas a estimativa é de que ao menos dois bebês de usuárias de crack cheguem à maternidade toda semana.

Para debater o assunto as equipes de psicologia e serviço social do hospital realizaram o I Fórum de Debate com o tema "Mães usuárias de crack e a proteção em rede".

Como não fazem pré-natal, os médicos sabem sobre o consumo de drogas das gestantes apenas quando elas estão em trabalho de parto. O perfil dessas mulheres é conhecido em uma breve conversa antes do nascimento do bebê, como explica a psicanalista.

"Elas não fazem pré-natal, muitas vezes têm uma história de múltiplos parceiros e já estão morando na rua. O aspecto físico delas também já denuncia. Elas se cuidam pouco, ficam muito envelhecidas e emagrecidas".

Outro fator que tem sido comum é o uso do crack durante toda a gestação. "Antigamente nós víamos que as mulheres paravam ou ao menos diminuíam o consumo de drogas devido à gravidez. Com o crack isso não acontece. Elas usam durante todo o tempo", diz Alcione.

Os riscos do uso prolongado do crack - que é um composto feito a partir da cocaína - vão desde o parto prematuro ao aborto. Além disso, os reflexos na vida da criança ainda são estudados. Estima-se que a capacidade cognitiva seja afetada. E as crianças ainda são expostas à vida na rua e até mesmo ao crack. "Muitas vezes a mãe dá crack para os filhos menores para que eles fiquem sem fome, calmos".

Amamentação
A amamentação não é indicada nestes casos, mas por vezes é o único alimento que as mães podem oferecer, uma vez que são de baixa renda. O dilema dos médicos é como suspender a amamentação sabendo da realidade social das pacientes.

E como entregar a criança após a alta hospitalar a mães e pais viciados? A neonatologista do Hucam, Andréia Lube, relata que houve um caso em que o bebê estava bem de saúde e recebeu alta. Os pais, no entanto, abandonaram a criança pouco tempo depois para usar drogas.

O problema é tão complexo que, para os realizadores do evento, a única possibilidade está na ação integrada de várias áreas, como a promotoria de Justiça, o Conselho Tutelar e vários órgãos públicos, que também enviaram representantes para discutir a questão no fórum.

LETÍCIA GONÇALVES - GAZETA ONLINE

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