Relatos de perseguição e discriminação surgem num ambiente que deveria ensinar a inclusão e a igualdade. No momento em que todas as entidades ligadas à Educação discutem os desafios para promover a igualdade entre os jovens, uma escola estadual resolveu "inovar". E, com isso, o ensinamento que fica é o da exclusão. Alunos do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Marcílio Dias, que fica na Barra do Jucu, em Vila Velha, formam a chamada "sala dos reprovados".
A situação chama a atenção não só pelo inusitado, mas pelos detalhes que envolvem a formação da turma. A situação foi denunciada à Rádio CBN por uma mãe de aluno, que prefere não ser identificada. Ela teme que o filho sofra repressões por parte da direção do colégio.
"Todos os alunos lá são tachados como reprovados. Até mesmo os professores e a secretaria os classificam assim. Se você liga para lá e pede alguma informação sobre a turma, eles dizem: 'ah, é da turma dos reprovados'. No meu entender isso caracteriza uma discriminação e até mesmo bullying por parte da escola", comentou a mãe de um dos estudantes do 1º ano.
O relato vai além. Segundo a autora da denúncia, a direção da escola conhece o problema. "A escola alega que agora existe um cadastro geral no MEC e que o remanejamento não pode ser feito. Eu até já pensei em tirar meu filho dessa escola, cogitamos pedir a transferência, mas aquela é a escola mais próxima. Mas prefiro acreditar que a escola vai fazer, sim, o remanejamento desta turma", disse.
Alunos confirmam o apelido
A reportagem foi até a Escola Estadual Marcílio Dias por duas manhãs consecutivas. Neste horário estudam 230 alunos da 8ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. E todos os estudantes abordados souberam dizer, com facilidade, as características da chamada "sala dos reprovados".
Veja só o que dizem os estudantes Arthur e Ana Carolina. Os dois têm apenas 14 anos. "Eles são uns demônios. Todos que reprovaram se juntaram e virou um inferno", disse o adolescente. Ana Carolina acrescentou: "A minha sala é em frente a deles e realmente existe muita bagunça. Eles 'tacam' fogo na lixeira, cadeira nos professores, amarram cadeiras no ventilador. Coisas desse nível", disparou a aluna.
A direção da escola foi procurada. Professores, que preferem o sigilo, apresentaram à reportagem as atas de duas reuniões realizadas este ano. Dos 30 pais ou responsáveis aguardados, apenas nove apareceram. A escola disse que a formação de uma classe só de repetentes foi feita por uma espécie de sistema gerencial on-line, e que não foi uma escolha pedagógica. O problema não para por aí: no primeiro trimestre deste ano, somente cinco alunos atingiram a nota média necessária.
Além disso, segundo os professores, a turma tem sérios problemas disciplinares. Nas últimas semanas, alunos da "sala dos reprovados" amarraram cordas no ventilador e nas carteiras e ligaram o equipamento. Há alguns dias, um tubo de cola branca foi espalhado na lousa. As infrações são confirmadas pelos estudantes, que não serão identificados para evitar constrangimento.
"Eles cortam a alça das mochilas dos colegas, colocam fogo no armário, amarram cordas no ventilador e jogam cadeiras nos professores. É muito difícil estudar nessa sala, porque quem tem interesse não consegue aprender. É muito ruim, porque alguns professores nos tratam com diferença. É uma situação ruim pra caramba", disse um aluno.
Na "sala dos reprovados", há quem se sinta perseguido pelos professores. "Tudo que acontece na escola é culpa da minha turma. A gente é sempre discriminado e isso não é legal. A turma realmente não é fácil, tem meninos que aprontam e a culpa acaba recaindo sobre todos. Há alunos de outras salas que vêm, provocam, e a gente acaba ficando com a culpa", destacou uma aluna de 16 anos.
Rótulos podem reforçar mau comportamento
Segundo a consultora educacional e presidente do Centro de Estudos do Bullying Escolar do Distrito Federal, Cléo Fante, o que ocorre na Escola Estadual Marcílio Dias não caracteriza bullying, conforme acusou a mãe de um dos alunos. A especialista diz que, por se tratar de uma relação envolvendo professores, diretores e estudantes, o que se observa ali é um grave caso de rotulagem.
"Isso é uma falta de respeito muito grande contra o grupo. A criação do rótulo dos reprovados configura a criação de um estereótipo, mas isso não é bullying", salientou Cléo, que veio ao Espírito Santo esta semana para participar de uma sessão especial na Assembleia Legislativa sobre violência na escola e a prática de bullying.
Cléo destacou, ainda, que enquanto algumas vítimas de bullying e assédio moral reagem com quadros de depressão e distanciamento social, outras acabam se tornando mais agressivas. "Claro que não vamos pensar que toda turma terá esse comportamento, mas alguns tendem a reproduzir aquilo que estão sofrendo e fazer juz aos rótulos que tiveram. Há probabilidade de que haja comportamento agressivo, por parte de alguns, contra professores e alunos. É um sinal de protesto", afirmou.

Eu sou casado com uma professora, e o que vejo, dia após dia, é que toda essa história de Estatuto da Criança e do Adolescente é, na maioria das vezes, utilizado como pretexto para "passar a mão na cabeça" de jovens irresponsáveis, que sempre têm direitos, mas nunca têm deveres. Eles fazem o que querem, inclusive agredir o professor (como a reportagem menciona) e se o professor se irrita e levanta a voz, ele está desacatando o direito do aluno.
ResponderExcluirEssa história de igualdade social e oportunidades iguais é uma besteira. A sociedade é igualitária? Desde quando?
Vejam as atitudes dos alunos desta sala: quebrar e botar fogo no patrimônio público. Com certeza tem gente boa na sala, que repetiu realmente por dificuldades, e que é mais prejudicada ainda por esses vândalos, mas a maioria dos repetentes é tranqueira. Todo mundo que já frequentou uma escola, sabe disso.
Eu acho que essa escola está corretíssima em fazer isso, pois assim os alunos aprendem, por bem ou mal, a responsabilidade que precisam ter, e a cumprirem sua maior obrigação: estudar. Claro que existem problemas em casa e vários outros fatores que interferem no rendimento do aluno, mas isso não dá direito a ele de ser um verdadeiro animal ensandecido.
Se esses alunos problemas, que são a maioria dos repetentes, acabam caindo nas salas "normais", eles jogam o nível para baixo. Os bons alunos são prejudicados pelos repetentes. E agora, como está na moda, falam de bullying... Claro, como sempre (embora o bullying faça parte da vida escolar, e todos nós ou já sofremos, e/ou já cometemos bullying, e nem por isso somos pessoas problemáticas). Mas precisam levar em conta que esses alunos que agora sofrem bullying por serem repetentes, são os mesmos que fazem a vida dos "nerds" um inferno.
Então, que os repetentes fiquem numa turma com gente como eles. Não é a melhor solução, mas pelo menos, assim os bons alunos têm seus direitos, que o ECA defende, garantidos.
E os maus alunos aprendem desde cedo que o mundo não é justo e talvez reflitam sobre as consequências de seus atos, de sua bagunça, de sua falta de empenho, que os levaram a estar nessa sala "especial". Aliás, pra mim isso sim seria o justo: separar quem quer progredir, de quem não quer. Injusto é esse discurso hipócrita do MEC de oportunidades iguais só pra conseguir índices positivos e pra "gringo ver"...
Pronto: agora me xinguem e venham com o discurso politicamente correto (hipócrita) da igualdade...