Mariana Montenegro
Depois da repercussão negativa e de provocar mal-estar no meio político, a secretária de Comunicação do governo Renato Casagrande (PSB), Sandra Cola, agora afirma que não fez a declaração de que as obras do governo Paulo Hartung (PMDB) no interior são pura "maquiagem". A afirmação teria sido feita em recente reunião com representantes de agências de propaganda, de acordo com a coluna Victor Hugo, publicada na última sexta-feira.
"Tudo isso foi uma grande confusão e um grande mal-entendido. Não fiz nenhum comentário negativo. Em nenhum momento eu disse que as obras do governo Paulo Hartung são pura maquiagem", enfatizou Sandra.
Na última sexta, após a publicação da informação na coluna, a secretária enviou nota na qual afirmava o "respeito pelo conjunto de obras do governo Hartung". Mas, em momento algum, negou ter dado a declaração que gerou polêmica. Ontem, reconheceu que "não foi muito clara" na nota anterior, a qual considerou "mal feita".
Interpretação
Questionada sobre o que poderia ter levado pessoas presentes ao encontro a lhe atribuírem tal declaração, a secretária disse que não pode "responder pelos outros" e que "pode ter sido erro de interpretação".
A reportagem indagou se Sandra falou algo sobre as obras de Hartung. Ela respondeu apenas que não deu a declaração sobre "maquiagem". "A gente faz reunião sobre trabalho de comunicação. Em momento algum disse aquilo. Até porque conheço muitas obras feitas no governo Hartung que são muito boas".
A declaração, agora desmentida por Sandra, foi considerada "infeliz" no final de semana pelo prefeito em exercício de Vitória, Tião Barbosa (PMDB), ex-secretário de Comunicação de Hartung e um de seus mais próximos interlocutores.
No governo, o assunto foi evitado. Sandra até pediu desculpas pela "grande confusão". O governador em exercício, Givaldo Vieira (PT), foi procurado, mas sua assessoria não deu retorno.
Colchão
Essa não foi a primeira vez que foi criado mal-estar com a gestão anterior. No início do ano, integrantes do governo disseram que a quantia deixada em caixa por Hartung não era um "colchão", mas um "colchonete". O secretário da Fazenda, Maurício Duque (PSB), veio a público confirmar o valor informado por Hartung: R$ 1,4 bilhão. Ao julgar as contas do peemedebista, o Tribunal de Contas Estadual informou que o valor era até maior: R$ 1,6 bilhão.
O secretário-chefe da Casa Civil, Luiz Ciciliotti, afirma que não há desentendimento entre a gestão anterior e a atual. "Não conseguimos identificar ainda, mas se tiver alguém no governo querendo criar situação de confronto não vai mais participar do nosso governo", disse.
Declaração repercute mal na Assembleia
As supostas declarações da secretária de Estado de Comunicação, Sandra Cola, não foram bem recebidas pelos deputados. Eles definem o episódio como "infeliz", mas avaliam que não vai repercutir negativamente na Assembleia Legislativa. Para eles, o que Sandra teria dito não reflete a opinião do governador Renato Casagrande (PSB).
O petista Roberto Carlos disse que a afirmação da secretária "é inoportuna", e que "não reflete as ações dos oito anos de trabalho de Paulo Hartung (PMDB)". O colega Cláudio Vereza (PT) evitou entrar na discussão, alegando que deve ter ocorrido algum mal-entendido.
Já José Esmeraldo (PR) criticou. "Em um momento tão difícil para o Espírito Santo, em que temos que somar forças, a fala dela desagregou", afirmou ele. Para Esmeraldo, o governador dará "um puxão de orelhas". "Mas, na semana que vem, quando voltamos do recesso, o assunto já estará superado".
Para Hércules Silveira (PMDB), a suposta declaração foi "intempestiva". "Seria bom que ela se retratasse. Foi uma fala sem sentido, sem fundamento e que não retrata o pensamento do governador Casagrande". "Ela devia estar de TPM", brincou o deputado ginecologista.

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