sexta-feira, 10 de junho de 2011

ES: Delegada cobrava até R$ 10 mil para facilitar ação de traficantes. Tânia Brandão deixava de autuar criminosos em troca de dinheiro e produtos eletrônicos. Ela auxiliava o bando na forma de agir. Veja como funcionava o esquema criminoso

foto: TV Gazeta
Delegada Tania Brandão
Delegada Tania Brandão

Suspeita de facilitar ações criminosas no Morro do Gama

No dia 25 de maio a polícia cumpriu 26 mandados de prisão e apreensão em bairro de Cariacica, onde atuavam os traficantes do Morro do Gama. Na ocasião foram apreendidos armas de fogo, munições, drogas e celulares. O material foi encaminhado para o DPJ de Cariacica. As investigações apontam que a delegada Tânia Brandão tentou recolher os aparelhos apreendidos, mas não conseguiu.

Ministério Público quer a perda das funções públicas dos envolvidos
Nos próximos dias o Ministério Público vai ajuizar uma ação penal em face dos investigados e encaminhar à Promotoria de Justiça cível de Cariacica cópia dos autos com o objetivo de impetrar uma ação civil por atos de improbidade administrativa praticados pelos servidores. O MP ainda vai pedir a perda das funções públicas dos agentes, diante das graves condutas praticadas.
Letícia Cardoso - Rádio CBN Vitória (93,5 FM)
A delegada de polícia Tânia Brandão foi presa na tarde desta quinta-feira (09) por suspeita de integrar uma das quadrilhas de traficantes e homicidas da Grande Vitória, a do Morro do Gama, em Cariacica. As investigações apontam que a policial civil se utilizava da função para facilitar a atuação dos criminosos dentro do município em troca de propina, destaca o Ministério Público Estadual. Quatro policiais militares também foram presos.

Ligações telefônicas interceptadas com autorização da Justiça apontam que ela cobrava de R$ 5 mil a R$ 10 mil por 'situações' que aliviavam os traficantes. A delegada está detida na Corregedoria de Polícia.

Assista a reportagem.

A delegada Tânia Brandão foi flagrada trocando mensagens com o suspeito de controlar o tráfico de drogas do Morro do Gama, Iranildo de Souza Freitas, o "Iranildo Gama". Ela deixava de autuar integrantes da quadrilha ligada a Iranildo em troca de dinheiro, joias e equipamentos eletrônicos. A delegada ainda auxiliava a quadrilha na forma de agir.

As investigações iniciaram em novembro do ano passado quando o Ministério Público começou a apurar denúncias de tráfico de armas na região da grande São Pedro, Santo Antônio e Centro de Vitória. Em pouco tempo eles identificaram uma forte ligação dessa quadrilha com os criminosos do Gama.

Até o momento, as investigações indicam que o envolvimento da delegada era diretamente com a quadrilha do Gama. Há casos, segundo a denúncia, em que um traficante do 'Gama' era levado preso por policiais militares para o DPJ de Cariacica e lá, ao se identificar para Tânia Brandão no momento da oitiva, recebia a autuação da delegada como usuário de drogas. Dessa forma ele assinava um termo circunstanciado, sendo liberado em seguida.

O advogado de Tânia Brandão, Adão Rosa, disse que a delegada se apresentou espontaneamente e que ainda não tem conhecimento dos motivos da prisão dela. "Sabemos que ela e os policiais militares têm prisão preventiva decretada pela Justiça. E a corregdoria deu cumprimento à ordem judicial. Mas não conhecemos o procedimento. Por isso não sabemos os motivos da prisão", disse Adão Rosa.


Policiais militares detidos, segundo informações do Ministério Público Estadual

Os militares detidos são: Maycon Nascimento Ruela, Jairo de Lírio Fernandes, Antônio Carlos Santos Jantorno e Marcelo Tavares Cardoso. De acordo com o Ministério Público eles cobravam propina de traficantes para não serem presos e avisavam aos criminosos da chegada de alguma presença policial que pudesse prejudicar as ações criminosas da quadrilha.
No destaque acima, a delegada Tânia Brandão, segundo esquema divulgado pelo Ministério Público

Recentemente, ao ser intimada a prestar depoimento na Corregedoria, ela apresentou um atestado médico alegando problemas de depressão. De acordo com o Grupo Especial de Trabalho Investigativo do Ministério Público (Geti), que coordenou as investigações, novas prisões de militares e policiais civis podem acontecer nos próximos dias.

Governo diz ser prioridade investigar denúncias com rigor
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social informou, por meio de nota, que a ação realizada na tarde desta quinta-feira (9) foi determinada pela Justiça, a pedido do Ministério Público Estadual, e devidamente cumprida pela polícia.

Os suspeitos, salienta a nota, serão investigados e se forem considerados culpados das acusações sofrerão todas as penalidades previstas em lei. A Sesp informou, ainda, que é prioridade do Governo do Estado apurar com rigor denúncias envolvendo atos de corrupção e desvios de conduta, e defender a imagem das corporações que são formadas em sua grande maioria por bons policiais.

A Polícia Militar confirmou a prisão preventiva de quatro policiais, que já estão na carceragem do Quartel de Maruípe. A Polícia Civil, também em cumprimento à decisão judicial, mantém a delegada de Polícia sob custódia.

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