terça-feira, 14 de junho de 2011

ES: Criação e venda ilegal de porcos dentro de presídio de Vila Velha é denunciada ao Ministério Público

TV Vitória

Foto: Reprodução TV Vitória

A criação e venda de porcos dentro do Presídio de Vila Velha foi denunciada por um presidiário responsável pela manutenção do chiqueiro. Segundo o denunciante, os leitões eram vendidos e o dinheiro dividido entre três sócios, um deles seria o diretor da unidade. Além dos porcos, lavagem e alumínio também eram vendidos.

O detento decidiu denunciar o esquema após se sentir lesado com a divisão de lucros. "A denúncia que nós recebemos foi em relação à retirada da alimentação que sobra da unidade para alimentar os leitões e o restante dessa lavagem era vendida para terceiros assim como o alumínio das marmitas. Os porcos criados eram vendidos para algumas pessoas", disse o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Espírito Santo, Paulo Cezar Buzzetti.

Segundo Buzzetti, o comércio era administrado pelo diretor da unidade e os internos faziam a manutenção do trabalho lá dentro. Em uma gravação feita por um dos agentes penitenciários, o detento citou diversas vezes o nome do diretor do presídio. Ele revelou qual era a participação de Valdelir do Nascimento nos lucros, da venda de lavagem feita com a sobra da comida dos detentos e da venda do alumínio, material retirado das marmitas entregues na unidade.

"O Nascimento tinha parte naqueles porcos, duas porcas. Ele vendia o alumínio também. Eu só tinha 20%, o resto ficava para ele. Dava mais trabalho e só dava discussão. A lavagem rendia de R$ 500 a R$ 680 por mês. Dia sim, dia não, a comida que saía da cadeia enchia quatro tambores de lavagem, disse o interno.

Outro fato que chama atenção é a quantidade de sobras de comida da unidade prisional. "A Casa de Custódia de Vila Velha ainda recebe os malotes das famílias dos presos. Então, além da alimentação paga pela Secretaria de Justiça, eles recebem dos familiares. A rejeição da comida da Sejus é muito grande e há também um tipo de atividade que a gente ainda não conseguiu constatar de sobra excessiva de comida".

O sindicato dos agentes penitenciários do Espírito Santo levou a denúncia ao Ministério Público. "A irregularidade que a gente constatou é que unidade prisional não é um lugar de comércio. Não se pode criar animais na unidade para serem comercializados e o diretor se apropriar desse comércio. O crime que a gente constatou foi esse e denunciamos ao Ministério Público", disse o presidente do Sindaspes.

O Ministério Público instaurou um procedimento investigatório para apurar a participação do diretor da unidade na comercialização dos porcos. A denúncia foi feita no início do ano, e segundo o Presidente do Sindaspes, os animais só foram retirados do presídio nesta segunda-feira (13).

"O que a gente consegiu constatar foi que o MP só conseguiu resolver a questão da retirada dos porcos, eles não conseguiram apurar nada além disso. Nós apresentamos a denúnica em fevereiro e, na semana passada, os leitões ainda não haviam sido retirados. A última informação que tivemos é que ontem, pela manhã, eles retiraram os últimos animais da unidade", comentou Buzzetti.

Quanto ao diretor, o presidente do Sindaspes informou que várias investigações da corregedoria foram publicadas no Diário Oficial acusando o diretor Valdelir do Nascimento como participante de outros crimes.

"Ele é investigado por crime de tortura, agressão, corte de ponto e ele ainda está no seu cargo fazendo da unidade uma base para suas irregularidades", revelou.

O secretário Estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, disse que não há mais criação de suínos na Casa de Custódia de Vila Velha. Em relação às denúncias contra a direção do presídio, afirmou que elas não procedem. A Sejus informou que agora concentra as atividades de suinocultura na Penitenciária Agrícola, em Viana. Os internos que atuam no projeto são beneficiados com a remição de pena.

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