Lívia Francez - www.seculodiario.com.br
Os autos do inquérito que apura a morte da advogada Eulina Maria Jaccoud Andrade, ocorrido em janeiro deste ano, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, já passaram pelo Ministério Público do Estado (MPES) e retornaram à 1ª Vara Criminal do município. A informação dada na Promotoria Criminal de Cachoeiro é que o MPES pediu novas diligências. Já na 1ª Vara Criminal, a informação obtida é de que foi decretado o sigilo do caso. Toda essa confusa trajetória em torno de um assassinato está deixando a população de Cachoeiro confusa e chocada.
Ao acompanhar os desdobramentos do caso por meio do processo no site do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), constata-se que os autos foram recebidos em cartório na 1ª Vara Criminal de Cachoeiro de Itapemirim na terça-feira (26). A partir deste dado a reportagem entrou em contato com a Promotoria de Justiça Criminal de Cachoeiro de Itapemirim e a informação dada foi de que o promotor responsável pelo caso, Richard Santos de Barros, recomendou novas diligências. Em seguida, o contato foi feito com a 1ª Vara e lá a informação foi de que o processo corria em sigilo.
Já o delegado que presidiu o inquérito, Eduardo Martelo, dissera, no dia 13 deste mês, que foram meses de investigação até que fossem identificados os supostos autores, cujos nomes ainda serão mantidos em sigilo até que a Justiça determinasse a prisão. No entanto, as denúncias não foram oferecidas, de acordo com as informações da Promotoria e, novas diligências devem ser realizadas.
Outras declarações do delegado dadas à imprensa dão conta de que o desfecho do caso não foi óbvio e a entrada de muitas pessoas no local do crime acabou por destruir provas, atrapalhando o trabalho da polícia. A parcimônia da Justiça em oferecer as denúncias contra os supostos autores apontados no inquérito podem confirmar as palavras do delegado.
Eulina foi morta com um golpe de objeto cortante no dia 16 de janeiro deste ano e nada foi subtraído do seu apartamento que sugerisse assalto, pois também não houve arrombamento. Durante as investigações a empregada doméstica Siléia Ventura de Souza, que trabalhava na casa da advogada, chegou a ser presa sob a alegação de que teria dado depoimentos contraditórios com o objetivo de atrapalhar as investigações. Ela foi libertada depois de 12 dias.
Ainda em janeiro, mês do assassinato da advogada, vazou a informação de que o suposto autor do crime havia se entregado ao Ministério Público do Estado. O comentário na cidade era que o suposto assassino seria de uma família tradicional de Cachoeiro, assim como a vítima e, por isso, um crime de aparentemente fácil resolução estaria sendo investigado com sem a devida transparência.
Os indícios de confissão deste suposto assassino foram abafados pela polícia e pela Justiça, culminando com a prisão de Siléia, que, segundo informações de moradores do município, trabalhava há seis anos com a advogada e era de total confiança dela.
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