Tragédia do Bumba complica sucessão do prefeito, que já foi considerado imbatível.
POR JOÃO ANTÔNIO BARROS - O DIA
Niterói - O amor desceu a ladeira. O desastre no Morro do Bumba, em Niterói, há um ano, promete uma avalanche nas eleições municipais de 2012 e já esquenta os bastidores da sucessão do pedetista Jorge Roberto Silveira. Com o maior número de interessados em uma vaga de candidato à prefeitura entre as cidades da Região Metropolitana, Niterói respira alianças e conspirações, e os políticos já mexem nas peças do xadrez que têm à mão para enfrentar o prefeito com um mínimo de chances de vitória.
Considerado uma máquina imbatível de votos, que venceu quatro das últimas seis eleições à prefeitura e saiu das urnas em 2008 escolhido por 75% dos eleitores, Jorge Roberto já é visto por adversários e aliados sem a mesma musculatura eleitoral e sem aquele “caso de amor” com a cidade (como era cantarolado no jingle da sua última campanha: “É mesmo um caso de amor / Desses que ninguém destrói / Jorge Roberto Silveira / E o povo de Niterói).
A estratégia de Jorge Roberto é minar a oposição com a oferta de espaço no governo.Sabe que suas chances de vencer crescem na medida em que chegar no próximo ano com, no máximo, um adversário. Tem dado certo. No mês passado, ele nomeou Luiz Fernando Guida para a Secretaria de Meio Ambiente e colocou ponto final na briga com os verdes.
Coincidência ou não, um dos possíveis candidatos à prefeitura de Niterói, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), revela que foi procurado no início do ano pelo presidente do PV, Eurico Toledo. Em pauta: aliança para a disputa municipal de 2012. Freixo, aliás, só decide o futuro em julho. É quando consulta a base se concorre a prefeito de Niterói ou do Rio. “Tenho domicílio nos dois municípios e vou ouvir meu eleitor”, avisa.
Fogo amigo
Além dos 45 mortos no Morro do Bumba, outra adversidade para Jorge Roberto é a pressão interna no PDT para bater o martelo se concorrerá em 2012. Embora ninguém aposte que o prefeito desistirá da candidatura, os secretários estaduais Sérgio Zveiter (Trabalho) e Felipe Peixoto (Desenvolvimento Regional) esperam a decisão antes de abril — limite para desincompatibilização dos cargos públicos para quem vai concorrer a prefeito.
Pedetistas e cacifados pela boa votação na eleição de 2010, os dois secretários se animam com a chance de concorrer à prefeitura com apoio de Jorge Roberto. Mas esbarram em desejo antigo do deputado Comte Bittencourt (PPS) de governar Niterói: “Formamos o bloco trabalhista e vivemos uma relação sólida”, responde Comte.
Outra força política da cidade, o PT tem dois candidatos (os deputados Chico D’Angelo e Rodrigo Neves ) mas espera a dança das cadeiras para decidir se lança candidatura própria ou forma bloco à esquerda do prefeito. É o reflexo das últimas eleições, quando Niterói elegeu quatro deputados estaduais e dois federais.
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