A denúncia é que os policiais militares estariam envolvidos com meninas há, pelo menos, nove meses. Adolescentes dizem que receberam oferta em dinheiro para ter relações sexuais com os militares.
Pouco depois da meia-noite, duas meninas conversam com dois PMs na frente do posto policial que fica na quadra 831, em Samambaia Norte. O papo parece animado, mas logo é interrompido para que um dos policiais leve as garotas até em casa. Os três caminham por quase dois quilômetros.
Na frente de casa, uma delas dá um beijo e um abraço no policial e entra na residência. A outra garota fica do lado de fora por quase 30 minutos falando com o policial, até que também dá um beijo para se despedir. Isso tudo durante o horário de expediente do militar.
Denúncias indicam que a relação dos policiais com garotas menores de idade é bem mais próxima e ousada. “Rolavam uns beijos e umas paquerinhas”, garante uma adolescente de 15 anos que frequentava o posto com as amigas.
“Chamava para ir para cama, dizia que queria ir para um hotel e transar”, conta uma jovem. “Para mim, os policiais já ofereceram R$ 50, R$ 60 lá no posto”, acrescenta.
Segundo o relato de duas adolescentes, os encontros entre elas e os policiais militares acontecem há, pelo menos, nove meses, especialmente à noite. É no próprio posto da PM que, muitas vezes, são combinados outros encontros. As meninas com idades entre 15 e 17 anos também são convidadas e pagas para participar de festas. “São reunidas várias pessoas para ir a festas em chácaras e vão muitas meninas novas”, denuncia uma jovem.
Aos 15 anos, a irmã de um rapaz também frequentava o posto com a amigas. “Do jeito que acontece com as outras, com minha irmã não é diferente”, acredita o rapaz que teve uma surpresa quando chegou ao posto para pedir ajuda porque um vizinho tinha sido assaltado“.
Cheguei lá para fazer uma denúncia e acabei me deparando com duas meninas sentadas assistindo a um filme pornô. Olhei lá para dentro para conversar e estavam os três policiais, um na porta e dois lá dentro, atrás do balcão”, relata o jovem. Diferentemente das outras unidades da PM, o posto da 831 Norte de Samambaia tem os vidros tão escuros que fica difícil enxergar quem está lá e o que está fazendo.
O corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Barbosa, determinou a abertura de inquérito policial contra os dois policiais investigados por suspeita de exploração sexual de menores.
Os dois policiais ainda estão afastados
A conclusão da sindicância feita pela corregedoria apontou indícios de crime militar e agora, a investigação vai ser ampliada. O prazo para conclusão do inquérito é de 40 dias, prorrogáveis por mais 20. Depois, o resultado é entregue à Justiça Militar, que vai decidir se os policiais são culpados.
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